o fim !

“E aqui, assim, pelo amor a mim investido… diante deste post, coletivo, círcular… que celebra toda a sua existência como sempre foi: misteriosa ! Decreto o fim de somente a verdade… Que Lulu, Kali e Pato guardem as nossas cinzas!! Pois em algum junho, ele há de renascer!”

– “…está na hora de vc trilhar o seu caminho espiritual, pois vc está

pronta !!!”
(por kaslu)

.
.
.
E então, o derradeiro presente, me foi dado. Eu não soube o que fazer com ele e como desconhecidos, íntimos que éramos, passamos algum tempo apenas nos tocando, em silêncio !
Pois então, o presente era meu, e dele eu haveria de fazer algo. E fiz !

O MESTRE

naquele tempo, fora tirada brutalmente de seu lugar de conforto e colocada, pela primeira vez, na frente do espelho, obrigada a superar a si mesma!
o espelho, naquele tempo, fora um lugar desconfortável, que fizera refletir o que já existia em si, mas os olhos sozinhos nunca foram capazes de alcançar.
naquele tempo, depois que se acostumou com todos os reflexos do espelho, fora arrancada da frente dele e colocada diante do Outro. ali, aprendera a lutar, aprendera que a luta, nada mais era do que dança!
que não importava vencer ou perder, pois a luta/dança só servia
para aprender o maior número de golpes/passos possíveis ! E nesse caso,
a morte era tão boa quanto a vida…se não melhor !
naquele tempo, ela percebera que todo lugar era abismo, e por
inúmeras vezes fora jogada para baixo e obrigada a enxergar mãos que
nunca estiveram lá para amparar, mas que pela simples presença,
faziam subir, às vezes mais alto do que imaginara chegar.
e quando estas mesmas mãos não foram suficientes, e não impediram
a queda, ela finalmente encontrou o deserto, que embora vazio, abrigava
pegadas, que a impeliam a seguir em frente, avançar mais um pouco !
andar no deserto nunca fora fácil, a repetição circular de imagens,
sons e cores te fazem cansar, e quando vc finalmente avista algo
diferente, descobre depois que eram apenas miragens perdidas de oásis
desaparecidos.
mas naquele tempo ela percebera que “aquele tempo” é, foi e sempre será
hj !
agora, nesse tempo, onde as pegadas já não existem mais, é que ela finalmente entende o milagre:
o mestre sempre fora aquele que da terra, fizera enxergar um milhão de km
à frente e para o alto…
mas o mestre, é como um barco a atravessar o rio, depois de chegar ao lado oposto, é preciso abandoná-lo !
e isso, é Somente a Verdade !
Pois veja se vc me compreende:
(por lulu)

O FIM !

O DERRADEIRO DIA D
( parte 10: A dissolução da antiga aliança.
Retornar para Lembrar.
A Nova Aliança )

A não ser por Yazelovit, que estava a sua frente, ninguém havia notado a diferença. Aquele Kaslu possuia algo novo. Todos haviam ficado tão concentrados em restaurar a conexão com a Imagem, que não perceberam que também Kaslu havia, por um nano-tempo, estado além da percepção de todos. Um tempo tão pequeno que passara como se não tivesse existido. Hammadi havia sumido, literalmente, no pulsar do círculo; porém o que acontecera com Kaslu só podia ser percebido indiretamente. Yazelovit assim o fizera. Assim, algo se lhe tornara evidente: aquele Kaslu, a sua frente, estava diferente. Ainda o mesmo, mas com certeza, diferente.

Os dois começaram a retornar. De repente os contornos de Hammadi iniciaram a se dissolver. Kaslu sabia que algo também iria lhe acontecer. Foi então que viu vários eventos se superpondo. Viu Weiss em sua máquina do tempo, uns vinte metros acima do solo, praticamente ao seu lado, e também o mesmo Weiss achando a mensagem holográfica no gelo. Viu Hammadi através de diversos rostos que se sobrepunham, inclusive o seu. Teve tempo de lhe dizer que voltaria para buscá-lo.

Teve tempo.
A imagem da Pedra Uraniana lhe veio como um clarão, mantendo-o conectado. Sentiu o pulsar do círculo e era como se o tempo se dilatasse. Viu blocos de espaço se aglutinando, blocos se contorcendo e criando formas. Viu sombras e luzes se misturando em formas lisas, redondas, contorcidas, espiraladas e, em cada uma delas, via grãos de espaço correrem, uns em velocidades diferentes dos outros. Via tempos como espaços em movimento. Via espaços como tempos dilatados e contraídos. Via formas, como resultados de interações entre esses grãos-espaço-tempo. Estava tateando as cascas dos vazios esféricos dos mundos…

Então tudo cessou.
Como se fora acordado de um sonho, se viu em lugar nenhum. Não havia chão sob seus pés, nem teto sobre sua cabeça. Nenhuma referência. Absolutamente nada. Não ouvia nem mesmo seu próprio respirar. Não sentia seu corpo. Nem mesmo escuridão havia. Sim, nem mesmo escuridão que pudesse servir como algo para que concluísse que nada via. Simplesmente não havia o que não ver, não havia o que não ouvir, o que não sentir. Ele estava lá, mas lá não estava em lugar algum…

Então, em meio ao Nada, uma necessidade de se expressar lhe veio, surgiu. Quis dizer, quis criar: som. O som que carregasse sua necessidade de expressão, seu pensamento ainda sem órgão. Tudo porque queria: ver. Não porque estivesse tudo em trevas escuras, pois não era esse o caso. Aquelas trevas não possuíam nenhum atributo de escuridão. Queria ver, como uma necessidade de respirar, mesmo sem Ter pulmões. Seu pensamento criaria o pensar. Seu respirar criaria o ar. E assim, como os grãos dos espaços-tempos ainda incriados, que em seus movimentos criam a si mesmos em formas reconhecíveis, pelo movimento dos silêncios criava os sons. E o primeiro som, ao dizer-se, criou aquilo que permitiria nascer a visão. E era como um borbulhar do nada, gentilmente faiscando centelhas e luminescências que se desprendiam iluminando, ganhando liberdade e preenchendo aquilo que se tornava um só corpo.

Então ele viu as letras. Viu serem moldadas… e viu Tântalo… e viu o que Tântalo via: letras se agruparem em sentenças, sentenças se moldarem em gotas luminosas que se agrupavam em formas fluidas e se projetavam, ganhando consistência líquida e… cor. Presenciou o surgir das cores que, também como grãos, átomos-tinta, corriam em caminhos, túneis, vãos, montes; cores que pincelavam degraus, contrastando níveis, brilhando beiradas, ressaltando precipícios e cumes. Era o refundir de energia e matéria. Era o intervalo atemporal entre o contorcer de espaços-tempos e sua geração de formas. Eram explosões gentis, sem quedas, sem dores. Eram implosões corretivas, sem apegos, sem esquecimentos. As cores eram a descrição das ações das forças gêmeas originais, que não destroem o que criam, mas destroem o que impede o criar, e pela dissolução plasmam sentidos…

Ouro. Dourado. Amarelo. Sol.

Então a Pedra e sua Imagem lhe veio novamente. Estava chegando à nave. Surgiu no corredor oficial e foi em direção a Dankar que se encontrava de joelhos com Yazelovit a sua frente.
Tempo.
Novamente ele estava correndo. Sempre contra.
Não pensava. Era preciso criar o correto pensar.
Ouviu a si mesmo falando algo com Yazelovit, o velho Kaslu e seu modo de sempre. Então pensou em restaurar a conexão, a Lembrança da Imagem. Viu o pensamento do velho Kaslu focado em Hammadi, mas este mesmo ainda não era o pensar. Sentiu suas mãos, ligadas as velhas mãos, se contraírem e socarem um ponto específico nas costas de Dankar. Então ele soube. Havia Dankar que lutava com suas memórias implantadas. Havia Sahid, corajosamente indo em direção a Marte, levando as tropas na Frente, com o coração ligado a ele. Havia Weiss, Hammadi, Yazelovit e os outros, incluindo o velho Kaslu. E nenhum deles estava pronto, ainda. Ainda havia algo a fazer. Viu o velho Hammadi e viu que ele morria. E também para este ainda havia algo a fazer. Viu o Velho Druída de Europa e soube que ele era Novo. Assim como nova seria a Imagem, o círculo, os irmãos. Viu o tempo novamente se dilatar e, Hammadi ao seu lado… e alegrou-se por compartilhar com este um novo pensamento. Viu um novo círculo e a aliança dos serpentes de fogo ser desfeita e uma Nova Aliança se formar. Então abriu a mão, a mão escondida na mão do velho Kaslu que tocava as costas de Dankar. Mas a sua mão, que se abria, lhe tocava o coração…se abria qual botão desabrochando num dia ensolarado. Então, pelo reflexo no olhar de Hammadi ele viu a borboleta que o Filho lançava em vôo, escrita na visão das centelhas-constelação que o Druída desenhava.
Então ele soube, ele e Hammadi, da Entrega, do Serviço, e da Força que os acompanha. Soube do toque no coração que restaura a conexão perdida, soube da promessa do Todo que se cumpre.

Kaslu viu algo diferente no olhar de Yazelovi, algo que tinha a ver consigo mesmo, mas logo correu para acudir Hammadi, para amparar seu amigo que falava algo sobre o vazio…

meta-nota:
Três horas mais tarde, as tropas de assalto estariam na órbita de Marte. Sahid, assim como todos, sabia que nenhum deles voltaria vivo. esse era um exército imbatível, exatamente por isso. Não eram fanáticos lutando por uma causa, ou seguindo algum líder carismático. Era um grupo indo em direção a morte, simplemente porque era o que deveriam fazer. Era a hora. Os planos iniciais seriam todos mudados. O grupo dos serpentes de fogo estava desfeito. Yazelovit não mais podia entrar na mente de nenhum de seus irmãos…nenhum deles o podia. Porém havia algo novo, e foi Yazelovit quem primeiro percebeu. O novo plano era o desembarque em massa de todos. Ninguém ficaria em nenhuma nave. Ainda caberia ao antigo grupo dos serpentes levar a máquina, porém todos desembarcariam juntos. Sahid já haveria descoberto o dispositivo implantado e, para surpresa de todos, diria que aquilo era uma ótima idéia. A idéia inicial era que o grupo seria enviado ao passado no caso de uma explosão nuclear. O implante, modificado por um outro dispositivo, traçaria uma rede que abarcaria toda a tropa, de modo que todos fossem enviados juntos. Nenhum desses dispostivos, assim como a máquina de teletransporte, eram patenteados. Eram, portanto, considerados ilegais. Somente o pequeno grupo, devido a necessidade de segredo, deveria saber deles. Momentos antes do desembarque o grupo dos serpentes de fogo, reconhecendo a aliança desfeita, aguardavam por algo. As tropas esperariam por Yank, porém o grupo sabieria que não seria isso, ainda não. Hammadi não nutriria mais nenhuma ansiedade, assim como Yazelovit e todos os outros. Yazelovit olharia para Kaslu e Hammadi de uma forma que tornaria evidente que algo lhes acontecera. Os dois nada falariam. Permaneceriam silenciosos. Seria o dia de 27 de junho de 2757, do calendário da Terra. Exatos 753 anos atrás. Weiss, ritualisticamente, entraria na cidade de refúgio… e, no mesmo instante o grupo tomaria conscicência de uma nova conexão entre eles. Então todos ouviriam o badalar de um sino atravessando o tempo, como um chamado no eterno presente. Os demônios de Dankar perderiam sua malignidade e, assim, um por um daqueles homens teriam seus receios, medos e fraquezas postos a prova e vencidos. A Nova aliança estaria firmada e ativa. O Novo, mesmo que ainda não plenamente reconhecido, estaria presente, e agiria.
No desembarque, as tropas seriam recebidas pela mais pesada artilharia. Todos os tipos de explosões destinadas a diminuir o moral da mais brava tropa que se possa formar, seriam levadas a cabo. O servos dos Quânticos, com suas tropas robôs, se colocariam como uma barreira impossível a frente do destino dos homens. E a história registraria o momento quando Yank surgiria como um guerreriro gigante, portando uma espada e escudo em meio a homens repletos de armamantos tecnologicamente avançados. Se registraria a cena desse guerreiro invencível dando saltos de quinze, vinte metros, desviando de feixes de plasma, sumindo e reaparecendo como sombras de luz, atravessando centenas de robôs com um só golpe, abrindo um clarão em meio às tropas zionitas de Arhiac, para que o grupo da Nova Aliança pudesse chegar até o destino e enviar a máquina ao futuro, no exato momento em que, desesperados, os Quânticos detonariam uma reação nuclear que dizimaria a todos os presentes, naves, robôs, equipamentos, humanos. Os dispositivos de Hammadi e Kaslu funcionariam e todos os humanos seriam lançados ao passado, enquano Yank desapareceria e se raglutinaria em meio ao planena central dos quânticos diante de um batalhão aterrorizado: a guarda elite dos sacertodes de Arhiac. Yank se dirigiria em meio a todos sem ser detido. Sua simples presença faria a quem estivesse muito perto cair desmaiado sentindo o ar sumir de seus piulmões ou a eletricidade se apagar de seus circuitos. Ele atravessaria todo o corredor e subiria as escadas e entraria no templo de Arhiac, onde estariam os doze quânticos regentes do universo. Todo o templo viria abaixo com a vibração de suas palavras: “mil anos”. Daria a sentença e sumiria, assim como os humanos em direção ao passado na Terra. Lá chegando eles se lembrariam do passado que acontecera no futuro, mas que dependeria de suas ações no presente. Seria uma imensa busca e reposta ao chamado, o mesmo chamado ouvido, em todos os tempos, como o som renovador de um sino mágico. Todos se reencotrariam na cidade de refúgio, unidos pela lembrança que, pela entrega de cada um à Luz, se completaria. Nesta cidade reencontrariam as pegadas do Druída de Europa e o elo com os círculos dos escolhidos, reencontrariam o Homem do Apocalipse, assim como seu sonho de nascimento do Filho, como um corpo, uma Barca em meio ao deserto. Ali, a Verdade seria o Mestre, a Gnosis a Guia, o Amor a Fonte, assim como em todos os tempos passados e futuros sempre o foram, seriam, são. Os nomes seriam os mesmos ou diferentes, alguns por coincidência, outros por opção, mas isso não importaria, pois a história não resgistraria estes nomes, mas os fatos futuros que, escritos no passado, confirmariam o presente.
O importante nunca foram os nomes, nem o que se acredite que eles representem, pois o que está aqui é, foi e será, Somente a Verdade.

FIM DO TOMO 1
(por kaslu)

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