um brinde a nossa impossibilidade de escolha – parte III ou…

...e entre tantos sonhos possíveis…
te digo,
eu escolheria a mais absoluta impossibilidade
eu traria de volta a minha coragem
(aquela que perdi)
agiria pela Vontade
criaria minha própria estação
e dobraria a esquina só pra te encontrar
ainda que desse jeito
eu só encontrasse a mim mesma
ainda assim,
eu escolheria acordar!

ou também…

“quando o trem pára, é vez da estação se mover”

soldado.jpg
foto: renan rosa

“O meu sonho
Era a esquina
Onde a voz dizia:
´É simples,
A esquina, vire!´
´Para a esquerda ou para a direita?´
´Como assim? Você ainda não sabe?´
´E você já se pode fazer essa pergunta?´

O meu sonho
Era a esquina
Onde a voz dizia:
´É fácil,
A esquina, curve!´
Ela tinha razão
Eu não podia me perguntar sobre a bifurcação,
Pois eu a via,
Mas não a tocava
de tão longe que ainda estava.
Eu me fazia uma pergunta sem nenhum direito operacional de fazê-lo
Eu fazia uma pergunta imaginada, abstraída e vazia de sentido, direção, vetor…

O meu sonho era…
Querer chegar na esquina
Tão perto, tão decidido
Que não percebia o vento,
Soprante poderoso e forte!
Ele fazia em sua imaterialidade
A esquina ficar tão distante, tão abstraída e vazia de passo, de toque, de ação…
Que não, que não, que não
Me permitia esperar o seu alívio…

O meu sonho espera
Poder dobrar a esquina
E então viver aquilo que vivia
mesmo quando ainda não te conhecia
e você frequentava os meus sonhos de meu amor
e então a voz, que será sua,
me dirá carinhosamente:
´Viu como foi fácil, viu como sou simples…´
E eu direi:
´Sim… você sempre foi a minha vida´
Mesmo quando não existia
Você sempre existiu…
Eu é que sempre quis fingir ser a sua esquina…”

(por kaslu)

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um brinde a nossa impossibilidade de escolha – parte II ou…

a mais absoluta impossibilidade é sempre a possibilidade mais possível!
ou ainda…

UM SONHO POSSÍVEL
Não só o sonho não é um limite,
como também não existe limite…
O limite é instantâneo, um sonho possível.
(por Kaslu)

tower.jpg

Se meus olhos estivessem à parte
E a luz não invocasse mais nenhuma possibilidade
Ainda assim
Dessa mesma maneira
Eu estaria aqui
Dessa mesma maneira
Me inclinaria diante dessa poeira
E te chamaria pelo nome
No mais absoluto silêncio
Reforçando o desafio
E afastando o esquecimento com as mãos
Pedra após pedra
Com mãos que te escrevem
Com o gesto que me aniquila
Erguendo e destruindo mundos que te fazem sorrir
Erguendo e destruindo mundos que te fazem sofrer
Pago o preço
Focalizo
E avisto a única possibilidade
De avistar dessa torre
Uma outra torre maior
O que não cabe nas palavras
Eu deixo procurar em seu colo um abrigo
O que não cabe nos olhos
Eu deixo cair de minhas mãos – a chave e o mapa
Para avistar
Da mais absoluta impossibilidade
Uma outra torre maior
Me chama que eu vou
Me chama que eu sou
Possível
(por sahid – em 04/01/07)
.
.
.
de mim…pra mim mesma…
ou não!

Vc diz que não pode me ajudar
Mas eu sempre digo que vc pode
Como sei que pode?
Pq vc tem estado lá
Dia após dia
Mas vc fecha os seus olhos
E assim não pode me ver
E no mais absoluto silêncio
Eu espero
Que vc finalmente pegue suas penas
E componha com elas um par de asas
Aceite as minhas mãos abertas desde sempre
E se permita voar
Até a outra torre
No meu mundo
Que vc sabe
Eu criei apenas para isso
E que também pode ser seu
Se vc finalmente acreditar
Como sei que era Real?
Pq o sol não estava se pondo
Ao contrário
Ele estava nascendo
E sabe o que encontrei nesta outra torre?
Uma outra…outra torre maior
Não, não há limite
(por lulu – em 05/01/07)

de um jeito, ou de outro,
sim…nós vamos atravessar juntos!

Quais são as metáforas de nossas vidas? Quantas horas cabem num círculo? Já que acreditamos nas horas, nas mágicas doze badaladas, recitaremos doze metáforas. Mas lembremos: fomos nós que quisemos assim. O que fazemos em cada hora nossa é o que podemos imaginar.

De minha parte, não te proponho nada, apenas uso e me aproveito de minha cegueira e deixo marcas perceptíveis para nossos dedos lerem sobre a mesa circular. Seria mais fácil se eu te amasse menos? Seria mais certo se eu escondesse minhas lágrimas? Quantos eus existem em mim que você vê através de meus olhos? Entenda: é tudo muito simples; às vezes quero apenas recostar a cabeça em teu colo e chorar por todas as vezes que te perdi. Veja, querido: “pra sempre” é menos tempo do que imaginávamos. Mas , quem sabe, morramos antes disso terminar! Por isso, nunca seremos apenas crianças sorridentes nos beijando em meio às bombas que caem. Estamos em círculo e meu instinto chamado alma e corpo estão alertas. Minha vida está em suas mãos, assim como a tua está nas minhas. Não poderíamos esperar menos um do outro, não é mesmo?

styxdore.jpg

Agora meu amor, me dê a mão. Vamos atravessar juntos. A hora é esta.
(por hammadi – ontem)


um brinde a nossa impossibilidade de escolha!

em algum tempo atrás
ou na frente
sei lá
num dia comum
como todos o são
sentada no banco duro daquele mesmo trem
onde costumavam ir de um lugar a outro
no entanto
sempre a lugar nenhum
como num flash de relâmpago berulhento
ela pôde te ver
calmo e sentado
numa estação limpa e clara
levantou-se na tentaiva de poder descer
mas o trem não parou
vc apenas sorriu e disse
sem dizer
que era possível

em algum tempo atrás
ou na frente
sei lá
naquele mesmo dia comum
descobriram juntos e então
foi que o trem finalmente parou
nunca existira estação
nem banco
nem tão pouco escolhas
existira uma porta
a porta de entrada do grande deserto
e nela estava escrito:
apenas o sorriso era verdadeiro
e este imenso deserto onde a gente sempre se vê…
…de um jeito OU DE OUTRO!
nunca se preocupe e seja bem vinda!

A SETA E O ALVO
(por paulinho moska) 

Eu falo de amor à vida,
Você de medo da morte.
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte.

Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta.
Te chamo pra festa,
Mas você só quer atingir sua meta.
Sua meta é a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros.
EU DIGO: “TE AMO!”
E VC SÓ ACREDITA QUANDO EU JURO.

Eu lanço minha alma no espaço,
Você pisa os pés na terra.
EU EXPERIMENTO O FUTURO
E VC SÓ LAMENTA NÂO SER O QUE ERA.

E o que era?
Era a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu grito por liberdade,
Você deixa a porta se fechar.
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar.

Eu corro todos os riscos,
Você diz que não tem mais vontade.
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade.
É a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa não te espera!

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

Sempre a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?