ao lado general, ao lado

para os meus amigos de círculo…

soneto da hora final

“será assim, amigo: um certo dia
estando nós a contemplar o crepúsculo
sentiremos no rosto, de repente
o beijo leve de uma aragem fria.

tu me olharás silenciosamente
e eu te olharei também, com nostalgia
e partiremos, tontos de poesia
para a porta de treva aberta em frente.

Ao transpor as fronteiras do segredo
tu, calmo, me dirá: – não tenhas medo
e eu, tranquila, te direi: – sê forte.

e como dois antigos conhecidos
noturnamente tristes e enlaçados
nós entraremos nos jardins da morte.”

(por vinícius de moraes em “o poeta não tem fim” – ligeiramente modificado por mim)

resgate

Ignição
Algo se perde junto com a tarde
Algo que não se sente falta enquanto ainda há sol
Mas a noite chega
Fantasticamente negra
Portas se fecham
Luzes são acesas
E as vozes ficam abafadas lá dentro
Vozes daqueles que amamos
Vozes daqueles que odiamos
Vozes daqueles que não nos percebem mais aqui
Nem mesmo quando nos desesperamos querendo voltar
E arranhamos suas portas até nossos dedos sangrarem
Mas não há mais volta

Enquanto isso
Aqui fora
Seu olhar caçador brilha mais que o fogo
E isso basta para dissipar a escuridão em mim
E isso basta para colocar no céu as estrelas
O caos
O mistério
O infinito
Algo que perdemos no crepusculo
E que renasce das cinzas dessa chama
Olhe em meus olhos
Eis aqui a minha faísca
Ignição!


abriu os olhos, exausta
naquela manhã
de um hj qualquer de uma noite sem sonhos
como que de ressaca o quarto do teto girava
embora a cabeça estivesse intactaera o coração que pesava

mto mais do que o corpo pudesse suportar
como se algo contido lá dentro quisesse explodir de um movimento interminável

expansão…
contração…

o ventre já não mais suportava
no entanto a passagem ainda era estreita
aproveitava as contrações para avançar um milímetro arrastando-se por aquele caminho
expandia de novo

vertigem…
consciência…

avistou um pássaro com movimentos frenéticos e sem direção
e ela pensou:

“o que ele está tentando encontrar?”

no entanto
eram tão precisos e seu canto tão apaixonado
que uma coisa mal combinava com a outra
tornando tudo aquilo engraçado

e ela sorriu
pela primeira vez naquele dia de uma noite sem sonhos

eu acho que aquele pássaro não existiu
ou talvez ele fosse seu próprio coração expandindo
desesperado
dizendo que:
embora frenético e sem direção
existe um canto apaixonado e preciso
que se perde o tempo todo
por não estar procurando nada
pois em casa
o teto ainda girava e o coração expandia
mas ela aprendera a cantar!

“Blackbird singing in the dead of the night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free.”
Você sabe
Não queriam ir tão longe
Quando todos já deixaram de correr
Você olha de relance por detrás de seus ombros
E a avalanche era apenas um espelho
O medo do reflexo
Não queriam estar aqui perto
Quando todos já deixaram de dançar
Das cinzas desse salão vazio
Você surge sem saber que já acabou
Esquecendo do esquecimento
Me fazendo lembrar
Isso é apenas o começo
Germinação
No solo dos olhos que criam a própria visão
Te vejo me vendo
Correndo sem fugir
Dançando no fogo-cruzado
Descrucificando dessa encruzilhada
Uma nova direção.

uma nova direção
ignição
eis aqui a minha faísca
olhe bem em meus olhos
pq…
no crepúsculo nada se perde
as coisas apenas (re)nascem
o infinito, o mistério e o caos
bastam para colocar no céu as estrelas
e dissipar a escuridão em mim
em vc!
seu olhar caçador brilha mais que o fogo
por enquanto
aqui fora

lá dentro

arranhamos as portas em busca
daqueles que amamos
daqueles que odiamos
daqueles que não nos percebem mais aqui
masmo quando nos desesperamos querendo voltar
lá dentroestá tudo abafado
as luzes
as vozes

eis o meu esquecimento que te faz lembrar
nada disso importa
pq nós conhecemos o crepúsculo onde nada se perde
e pra isso
também não há mais volta

(por lulu & sahid)

bazar da minha amiga

é…meu blog está meio abandonado.
acho que estou meio des-inspirada…
e com mtos compromissos familiares de fim de ano.
argh!
ah, ou acho que estou de feiras mesmo!
ops…de férias eu quis dizer…
é que no sábado vai rolar a feira/bazar de uma amiga que faz umas bolsas A-NI-MAIS!
quem tiver em sampa e puder, o flyer está aí embaixo com endereço e tudo mais!

e fui eu que fiz!
:))

flyer_blog.jpg

concedidas

bridas trapeiras de seus cabelos trigueiros que no vento espalho
sou jogral noturno sofreando e fanando suas noites de sono menina
são com convulsas e “ferinas” mãos que te toco
ressumbrando como tempestade em ínfimo regato
voluptuosidade selvagem sobre silente e esguio talhe

(por renan rosa)